Foi, sem dúvida alguma, um Natal muito feliz. Aquela tarde de dia 24 a fazer os doces na cozinha, os jogos com os primos no sofá da sala, a decoração natalícia da mesa, os últimos retoques na disposição das bolas na Árvore de Natal até ao jantar com a família. Melhor não poderia ter sido. Sem esquecer as pessoas amigas que mandaram uma mensagem desejando um Feliz Natal. Essas estão sempre lá e nunca se esquecem de guardar um espaçinho para nós neste dia especial.
Como disse, este foi um Natal, particularmente, feliz. Pelas razões que referi e por outra, que teve e tem um papel muito importante. Aquela pessoa que, mesmo estando longe, não deixa de nos dar a mão, não deixa de nos abraçar, não deixa de tocar no nosso cabelo, de colocá-lo cuidadosamente atrás da orelha e dar-nos um beijo no rosto. Aquela pessoa que desperta em nós "um quentinho no coração". Essa, sim, também esteve presente. Não fisicamente, mas em pensamento. E talvez tenha sido por isso que este Natal foi ainda mais especial.*
A par desta felicidade, tive uma surpresa. Que não foi boa nem má. Foi desnecessária, em vão. Que não despertou em mim qualquer tipo de sentimento, apenas indiferença. Alguma mágoa, talvez. Um pedido de desculpas feito por mensagem, que, por esse motivo, não mereceu uma resposta da minha parte, porque quem quer verdadeiramente desculpar-se por algo que fez de errado, fá-lo pessoalmente, cara a cara. Não manda o telemóvel fazê-lo, não se esconde por detrás de umas palavras escritas numa hora e lugar quaisqueres. Como diz a letra de uma música, que gosto muito, de um dueto feito por Pablo Alborán e a nossa Carminho:
Ni una sola palabra más
No más besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que sí.
Não dá para perdoar nem esquecer tudo o que aconteceu. Não voltará a haver uma amizade como existiu em outros tempos, porque isso seria o cúmulo da hipocrisia.
O silêncio também é uma resposta. É a minha resposta.
O silêncio também é uma resposta. É a minha resposta.

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